Adoção e mitos: Você sabia que não existe fila de adoção no Brasil?

Adoção e mitos – Você sabia que o número de crianças na fila de adoção é menor que número de pessoas interessadas em adotar? Parece mentira, mas não é. Segundo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), são mais de 31 mil interessados em adotar e o número de crianças e adolescentes habilitadas para a adoção gira em torno de 5 mil. A tal “fila da adoção” simplesmente não existe, o processo de adoção não passa por uma fila, mas por uma avaliação de adultos que estejam de acordo com as crianças que buscam uma família, o inverso do que é erroneamente difundido. Este e outros mitos dificultam a compreensão do processo de adoção e gera muita desinformação, por isso listamos os cinco mitos mais comuns quando se fala em adoção no Brasil.

Adoção: Você sabia que não existe fila de adoção no Brasil?
Adoção e mitos: Você sabia que não existe fila de adoção no Brasil?
Adoção e mitos: Você sabia que não existe fila de adoção no Brasil?

Gays ou solteiros não podem adotar

Mentira. Todos podem adotar, desde que estejam dentro dos critérios psicológicos e sociais demandados pelas instituições que fazem a ponte entre as crianças e os potenciais adotantes. Casais gays, heteros, solteiros, não há impedimento.

A mãe biológica pode desistir da doação

Mentira. Todo o processo corre em segredo de Justiça. Se o desfecho for a Destituição do Poder Familiar (DPF), a família de origem (ou natural) perde legalmente os vínculos sobre a criança, deixando de ser a família dessa criança ou adolescente. A partir de então, a tutela é do Estado. Em caso de crianças maiores e adolescentes, irmãos consanguíneos entre si, o contato com a família de origem é extinto após a DPF. Até porque estas crianças e adolescentes já estão em serviço de acolhimento quando o DPF é concluído. Isso não compromete o direito dos filhos por adoção buscarem informações e contato com a família de origem. “Todos os filhos por adoção têm direito, assegurado por lei, às informações sobre sua história de vida após os 18 anos de idade”, conta Renata Pauliv Casanova, psicóloga e especialista em adoção.

Adoção e mitos: Você sabia que não existe fila de adoção no Brasil?
Adoção e mitos: Você sabia que não existe fila de adoção no Brasil?

Entregar uma criança para adoção é crime

Mentira. Entregar um bebê à Justiça é um direito garantido por lei a todas as mulheres do Brasil. “No caso da Entrega Consciente, todo o processo se torna mais rápido pois há anuência da genitora (gestante). Ela desiste do Poder Familiar ainda na gestação”, explica a psicóloga. Durante esse tempo, a equipe técnica responsável pelo caso faz o acompanhamento dessa decisão que, se mantida, resultará na Entrega Legal.

As filas de adoção demoram

Mentira. Não existe fila. O Sistema Nacional de Adoção (SNA) funciona de acordo com o perfil escolhido pelos pretendentes à adoção. “Se vários pretendentes escolhem o mesmo perfil e aparece uma criança compatível, haverá critérios para a colocação da criança na família que atender ao melhor interesse dela”, assegura Renata. O foco é no que a criança precisa, não no que os adultos buscam.

Cresceu o número de adoção de crianças mais velhas e negras

Cresceu, mas infelizmente, pouco. Embora quase metade (46%) dos pretendentes inscritos no CNA considerem estarem abertos a adotar uma criança com cinco anos ou mais de idade, a partir dos 11 anos o número de crianças supera o de pretendentes. A situação piora com outras restrições e a falta de visibilidade desses adolescentes institucionalizados. Para quem deseja adotar e busca entender melhor sobre todo o processo, a escritora e “mãe por adoção” Maria Fernanda Bruni Daldon lançou recentemente a trilogia MC Gonha e Outras Histórias, que de forma leve e natural insere a adoção em três histórias infanto-juvenis:  “MC Gonha e o Menino Biscoito”, “Vô Jerônimo disse SIM” e “Toda criança, todo brinquedo”. Os livros são inspirados nas vivências de Maria Fernanda após a chegada de seu filho. “Quanto mais exercitamos o verbo adotar no sentido de escolha responsável, mais a sociedade ganha em termos de cidadãos emocionalmente maduros e núcleos familiares fortalecidos”, ensina a escritora. Para saber mais sobre a trilogia MC Gonha, acesse a plataforma coisainventada.com.br/mcgonha