Convidada especial: Fátima Durante do “Fredericando” – Cranioestenose

Convidada especial: Fátima Durante do “Fredericando” – Cranioestenose

Uma convidada mais que especial, Fátima sempre foi a minha inspiração para criar o meu blog. Autora do “Fredericando” engravidamos na mesma época, trabalhamos juntas e “confessamos” no mesmo dia a “nossa gravidez”. Meiga, dedicada e mãe do meu “Fredowsky” (Frederico) preferido, hoje ela compartilha conosco um tema muito importante para as Mamães. Espero que gostem.

Cirurgia de cranioestenose – 1 ano depois

Quando minha querida amiga me convidou para escrever aqui, fiquei dias pensando sobre o que falaria. E cheguei a conclusão que nesse momento, em que estamos prestes a completar 1 ano da maior provação que já passei na vida, só poderia falar de uma coisa: a cirurgia de cranioestenose que o Frederico fez no dia 14 de novembro de 2011.

Para quem nunca ouviu falar no assunto, cranioestenose (ou craniossinostose) é o fechamento precoce de uma ou mais suturas cranianas, aqueles espaços que existem nos ossos do crânio do bebê que permitem o crescimento do cérebro. Eu também nunca tinha ouvido falar disso até os 3 meses de vida do Fred. Observação: o fechamento precoce da moleira não é cranioestenose, mas sim o fechamento de uma das suturas.

Sempre achei que ele tinha a moleira pequena, mas sua cabeça crescia normalmente, o pediatra media e nunca tinha me dito nada. Então, como uma obra do acaso, ou a mão de Deus em nossa vida, eu li em um blog amigo de uma mãe que tem o filho da mesma idade do Fred, que o pediatra de seu bebê havia comentado que a moleira estava pequena, mas que iam acompanhar, pois estava tudo bem. Na hora perguntei a ela o porquê da preocupação do médico, e ela me escreveu dizendo que poderia ser muito perigoso se a moleira fechasse antes de 1 ano.

Larguei tudo que estava fazendo e corri para ver a cabeça do Fred. Ele tinha 3 meses de vida, e sua moleira era quase imperceptível. Meu coração nunca mais se acalmou a partir daquele dia.

Na consulta de rotina, aos 4 meses, comentei com o pediatra sobre isso. Ele confirmou que a moleira estava pequena, mas disse que seu desenvolvimento estava normal, que não precisava me preocupar, pois, pelas medidas do perímetro cefálico, o crescimento de sua cabeça estava normal.

Eu continuava angustiada. E aí comecei a reparar que sua cabecinha parecia estar mais pontuda atrás, não era redondinha como a da maioria dos bebês que eu conhecia. Poderia ser coisa da minha cabeça, mas eu não dormia mais a noite de tanta preocupação. Na consulta dos 5 meses, exigi do pediatra um exame mais detalhado da cabeça do Fred, precisava ter certeza de que estava tudo bem. Nessa altura, já não sentíamos mais a abertura da moleira, estava totalmente fechada. Fizemos uma tomografia que confirmou minhas suspeitas: ele tinha as suturas sagital e metópica totalmente fechadas. Minha intuição de mãe estava certa, infelizmente.

A partir daí começamos uma via crucis, de consultório em consultório, dos mais diversos neuropediatras e neurocirurgiões. Vários e contraditórios diagnósticos. Muitos disseram que ele estava bem, que não precisava operar, pois sua cabeça crescia normalmente. Outros nos apavoravam, diziam que ele ficaria com a cabeça torta, não se desenvolveria direito… Foram dias muito difíceis.

A imagem abaixo ilustra como ficaria o formato da cabeça com a sutura sagital fechada:

cranioestenose (ou craniossinostose)

 

Por sorte, recebemos a indicação de um excelente neurocirurgião. Quando chegamos até ele, Frederico já estava com 7 meses. Ele foi muito categórico em seu diagnóstico: teríamos que operá-lo o mais rápido possível, pois a partir dos 8 meses, ele poderia ter sérios comprometimentos em seu desenvolvimento neurológico. Senti uma grande confiança naquele médico, e, 15 dias depois, na segunda-feira do dia 14 de novembro, eu entregava em suas mãos o meu maior tesouro, meu filho, que entrou no centro cirúrgico sorrindo para mim.

Sinceramente, eu não consigo escrever aqui tudo que passamos naquelas 4 horas de espera enquanto lhe operavam. E nas outras 4 horas que ele demorou para voltar da anestesia. Não sei, não procurei saber como é feita essa cirurgia. Sei que ela é muito difícil. Ele precisou de transfusão de sangue. Ele ficou na UTI por 2 dias, e mais 3 no quarto do hospital. Ele ficou inchado, entubado, usando uma sonda para coletar urina, um caninho na cabeça para escoamento do sangue, e uma agulha em cada veia dos seus membros (braços e pernas), recebendo morfina, antibióticos, soro… E como por mágica, no sábado quando voltamos para casa, ele não precisava tomar nenhum medicamento, nada, nenhum analgésico sequer.

Uma outra fase importante da cirurgia veio depois. E essa dependia muito de mim. No auge dos seus 8 meses, Frederico não podia sequer pensar em cair e bater a cabeça. Então, vocês mães, que têm ou tiveram filhos de 8 meses, querendo engatinhar, querendo sair pro mundo, podem imaginar como eu fiquei. Simplesmente não colocava o Fred no chão. Era no colo, ou no berço, ou rodeado de almofadas por todos os lados. E graças a Deus a sua recuperação foi fantástica!!! Mas o seu desenvolvimento motor, por conta de tantos cuidados que tivemos, ficou mais lento.

Frederico engatinhou com 1 ano e 2 meses. E, segundo a previsão da neuropediatra, estará andando até completar 1 ano e 10 meses. E está perfeitamente normal. Não sei pensar no que poderia ter acontecido se não tivéssemos operado. Só posso agradecer a Deus por ter dado tudo certo, por ter colocado as pessoas certas em nosso caminho, por termos descoberto e operado a tempo… E o fato de ele ainda não andar, significa apenas que tivemos os cuidados certos num momento crucial do seu desenvolvimento… E além do mais, ele terá a vida inteira pela frente para andar…

Hoje muitas mães me procuram, e é impressionante o número de crianças que precisam passar por isso. Um dos motivos de eu não ter fechado o blog foi poder manter esse canal com todas essas pessoas. Criamos até um grupo no facebook, onde pude conhecer pessoas adultas que operaram quando bebês e que seguem suas vidas normalmente. Vocês não imaginam como isso é bom!!!!

Eu e meu tesouro brincando, num clique da Flávia, e, como vocês podem ver, hoje a cabeça dele é perfeitinha!

cranioestenose (ou craniossinostose)

 

Essa foi a maior experiência da minha vida, com mãe e como ser humano. Sou a Fátima, sou a mãe do Frederico e escrevo de vez em quando lá no Fredericando…

link da imagem:

neuronrn.com.br