Diferencas entre as vacinas do SUS e Particulares

Diferencas entre as vacinas do SUS e Particulares

Tenho lido bastante comentários sobre vacinas… Mães afirmando que preferem pagar a vacina no setor privado, pois a vacina do SUS deu reação no bebê, que a vacina do privado é diferenciada.. Enfim..
Vamos lá! Antes de mais nada, lembro que o PNI (Programa Nacional de Imunizações) do Brasil é um dos mais completos do mundo, no quesito número de doenças protegidas.

vacina gotinha sabin

Vejam as diferenças entre as vacinas do SUS e Particulares

Vacina tríplice bacteriana (DPT): no PNI usa-se a vacina produzida no instituto Butantan, a DPT de célula inteira, uma vacina que causa índice alto de reações adversas. Nas clínicas particulares, só existe a DPaT, a vacina acelular, usada em todos os países “desenvolvidos” do mundo. Nesta vacina o componente da coqueluche é feito por engenharia genética, não se usa o capside da bactéria. Resultado: muito menos reações.

Poliomielite: os postos ainda usam a Polio Oral (Sabin), em desuso total em países como EUA, toda a Europa e Escandinávia, Japão e Israel. Nas clínicas particulares só se usa Polio Inativada, aplicada na mesma seringa que a DPT. Esta vacina confere alta proteção e risco zero de causar a PPV – poliomielite pós-vacinal – um raríssimo efeito colateral da vacina Sabin. Foi por este motivo, a PPV, e também para acabar com a circulação de um vírus vivo e inativado, que o mundo desenvolvido parou de usar a Sabin.

Hepatite B: aplicada nas clínicas particulares também na mesma seringa que a DPaT + Hemófilus + Polio (vacina Hexavalente), diminui o número de injeções na criança. Caso não seja este o problema, copio abaixo o trecho de um estudo sobre vacinas:
“Estudo realizado pelo Dr. Reinaldo Menezes Martins (do Comitê Técnico Assessor do Ministério da Saúde) e col, comparando a imunogenicidade da vacina contra Hepatite B produzida pela GSK (Engerix) e a do instituto Butantã (Butang) demonstrou, entre outras coisas, que a porcentagem de soroproteção da vacina Butang em adultos entre 31 e 40 anos de idade foi de 79,8 % contra 92.4% da Engerix B®.”

Rotavírus: nos postos existe à disposição a vacina contra rotavírus monovalente (da GSK). A vacina é belga, segura e bem produzida, mas só protege contra um sorotipo deste vírus, o que equivale a 70% dos casos no nosso meio. Nas clínicas particulares se aplica a vacina pentavalente, norte-americana, que protege contra cinco sorotipos de rotavírus – 99,5% dos casos brasileiros. Esta vacina (a pentavalente) é utilizada de rotina nos Estados Unidos e a mais indicada para nós.

Pneumococos: nos postos utiliza-se a pneumocócica conjugada 10-valente (da GSK), também belga, segura e eficaz. Nas clínicas particulares usa-se a pneumo 13-valente (da Pfizer/Wieth). Estes 3 sorotipos a mais de pneumococos são extremamente importantes no Brasil, pois 2 deles são pneumococos muito comuns por aqui. É uma vacina que chegou há 6 meses no Brasil, muito aguardada pela comunidade pediátrica. Esta vacina (a 13-valente) é utilizada de rotina nos Estados Unidos, no PNI deles. Nossas crianças também merecem…

Meningite C: talvez a diferença menos contundente. O governo utiliza a vacina da Chiron. As clínicas aplicam a vacina da Baxter. Ambas são muito seguras, mas a vacina da Baxter é a única que apresenta níveis protetores a partir da primeira dose aplicada (com 2 ou 3 meses de vida). Como é uma doença gravíssima e correspondente a 70% dos casos de meningite bacteriana em São Paulo, julgo a diferença relevante, ao menos ao aplicar a primeira dose.

Por fim, gostaria de colocar um trecho da entrevista publicada na revista Veja desta semana, com o Dr. Jorge Kalil, diretor do Instituto Butantan:

  • O Senhor assumiu a presidência do maior fabricante de vacinas do país, o instituto Butantan. Por que o Brasil exporta apenas 5% de sua produção total?

Nosso processo de produção precisa se adequar aos padrões de qualidade estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde. A OMS exige, por exemplo, que cada etapa da fabricação da vacina seja feita em um ambiente com o sistema de ar condicionado isolado, o que reduz drasticamente o risco de contaminação do produto. Não temos isso. Aqui, todas as salas estão ligadas a um único sistema. O mesmo vale para as roupas utilizadas pelos pesquisadores que devem ser trocadas a cada etapa da produção da vacina. Nós também não temos isso. A OMS preconiza que o número de partículas de detergentes usados na limpeza das salas e dos materiais seja o dobro do que temos hoje. Todas essas adequações lá estão em andamento. Até 2015 o número de doses produzidas, hoje na casa de 200 milhões ao ano, vai dobrar – e poderemos exportar mais.

  • O não cumprimento das exigências da OMS influencia a qualidade da vacina brasileira?

Na eficácia, não. Nossas vacinas são tão boas quanto quaisquer outras produzidas pelos grandes laboratórios internacionais. A diferença está nos eleitos colaterais. Em geral, independentemente do local onde são fabricadas, elas podem causar um quadro leve de febre ou diarreia. Se, durante o processo de fabricação, sobra um restinho de microrganismo, essas reações adversas tendem a se agravar – o que, apesar de prejudicar a ação da vacina, pode comprometer a adesão aos programas de imunização. Atualmente, com as nossas vacinas, a incidência desse, sintomas mais severos é de um caso em I milhão.

A decisão de como e aonde vacinar seus filhos cabe aos pais, dentro de suas possibilidades econômicas, inclusive. O que não posso deixar de mostrar é que existem diferenças marcantes nos tipos de vacina.
E relembro que o nosso riquíssimo país (para algumas coisas…) poderia oferecer à sua população o que há de melhor em matéria de vacinas, assim como na saúde como um todo e na educação. (JAIRO LEN – Clínica Len de Pediatria )

Sobre a Reação pós vacinação.

Mães, reação é normal… É a imunidade! A criança está ganhando imunidade…  Então é super normal se, depois da vacina alguns bebês apresentarem febre, mal estar, coriza… Não fiquem assustadas. A não ser que essa febre persista por mais de 48 horas…Nesse caso pode ser um tipo de infecção, mas não causado pela vacina e é necessário levar ao pediatra
Então, fiquem tranquilas.

Quem me conhece sabe que sou mãe de três!!  Dois adolescentes e uma criança de 3 anos e TODOS, foram vacinados pelo SUS… Só tomaram em rede privada, aquelas que o governo ainda não tinha no calendário.
Um beijo