Minhas Facetas

Minhas Facetas

Às vezes acordo te amando e desisto de tudo ao meio-dia.
Nada mais em mim é perene.
Amo-me sempre, ou nunca.
Desejo sempre o indesejável, concebo o inconcebível e sonho com o impossível. Um dia acordo sorrindo e, noutro, nublada.
Deixo-me levar como chuva fria, rolando pelo corpo corajoso.
Sinto-me lágrima contida, mas também fúria cerebral.
No meio da tarde fico vazia,busco-me no meio das sombras. Flavia mulher adormece, Flavia menina acontece. Carente deixo-me estar e castigo as mãos ansiosas. Escorrego pelos dedos, concordo discordando, sem nem saber por que.
À noitinha sou alguém de novo, e faço festa para a vida. E despejo sorrisos no mundo. Onze horas anoiteço, taciturna e pensativa. Filósofa inconformada, quero lutar contra o vento. Congelo por dentro. Viro iceberg, gemo sozinha…
Onde estará eu mesma? De madrugada me reencontro. Sempre estive aqui, embora também estivesse lá. Não sei onde é o “lá”. Se soubesse teria fugido, sem medo de nada, só do meu eu perdido.