Quero ser muito mais

Ai de mim, encontro-me em um momento confuso do caminho: Não aceito ser o que não sou mais, e também ainda não sou o que serei – sei o que preciso ser,  e venho me preparando e aprendendo  a ser. Arquitetei minuciosamente essa nova forma de existir, e agora que deixei o que pedia para ser deixado, encontro-me entre uma coisa e outra, em um espaço vago e  crítico. Não me sinto confortável, não me sinto acomodada, não sei bem onde por, os pés,  as mãos, doem-me os ossos e eu  poderia gritar bem alto, acordar os vizinhos que dormem silenciosamente em seus quartos – uma boa forma de protestar. Tudo tem sido insuficiente, tudo o que me cerca tem sido limitado, pouco, e eu mesma – mormente, eu mesma – tenho sido pouco para o que ambicionava ser. Hoje sinto que não me basto, e não bastar-me está incomodando, angustiando e doendo um bocado aqui dentro. Mas já sei o que fazer – a verdade é que já fiz o que precisava ser feito – agora há mesmo que se esperar com calma e serenidade. Apesar de impacientar-me com assustadora facilidade, tenho mantido a serenindade. A verdade é que  já dei o que podia, tudo que me foi exigido e entreguei prontamente, até mesmo o que talvez não devesse, e estou agora na expectativa, ávida para que a transformação em suma aconteça: quero ser nova.
imagem: we love it