Toque vaginal faça você mesma – Gestante em trabalho de parto

 Toque vaginal faça você mesma
Bom, como vocês já devem saber estou em busca de um parto nautural humanizado ativo.
Busco informações sem parar, porque não posso contar com meu obstetra ( o correto seria eu ter um obstetra com quem pudesse contar, mas, nesse mundo de grávidas nem tudo são flores onde a grande maioria dos obstetras são cesaristas), e sempre que leio relatos de parto está lá o famoso Toque vaginal ou exame de toque (tudo a mesma coisa) para saber em que grau de dilatação a parturiente está.
Algumas reclamam outras nem tanto o fato é que eu sempre tive curiosidade para saber como é esse toque e se eu mesma poderia fazê-lo, a resposta não demorou a chegar, Taiza que é doula e fisioterapeuta me presenteou com sua visita e um comentário que me deixou cheia de esperança… Eu posso aprender e fazer “meu toque” para saber da minha dilatação. 

Toque vaginal faça você mesma – Gestante em trabalho de parto

O post de hoje foi um pedido da Flavia, que gostaria de aprender a fazer o toque vaginal para saber a progressão da dilatação durante o trabalho de parto.

Primeiro quero ressaltar que toda mulher pode e deve se tocar! E quando digo se tocar, digo em sentido amplo, em todas as fases da vida, para conhecer seu corpo, descobrir seu sexo, se dar prazer, reconhecer seu ciclo e suas mudanças hormonais. 

O toque vaginal com o intuito de avaliar o colo do útero pode ser aprendido antes da gestação, durante a gestação, ou até mesmo durante o trabalho de parto! 

Perceber as modificações que ocorrem no colo uterino e no muco cervical durante o ciclo menstrual, pode ajudar a mulher a distinguir seus dias férteis.

Conhecer seu colo do útero durante a gestação permite identificar as mudanças que sinalizam o amadurecimento e a dilatação cervical, que algumas vezes precedem o trabalho de parto e outras vezes só acontecem depois de iniciado o trabalho de parto.

Então vamos lá, mãos à obra! Toque vaginal faça você mesma

“As instruções iniciais são exatamente as mesmas da massagem perineal e também pode ser feito em conjunto com seu parceiro, que ao aprender o toque vaginal poderá partilhar com você outras percepções.

– Encontre um lugar onde você possa ficar sozinha, ou com seu parceiro, ininterruptamente.

– Ache uma posição confortável e que você tenha maior alcance a sua vagina. Uma dica é fazer flexão de tronco (curvar-se a frente ou ficar de cócoras), pois diminui a distância entre sua mão e sua vagina.

– Lave suas mãos e peça ao seu companheiro para fazer o mesmo, caso ele vá lhe ajudar.

– Lubrifique seu dedo indicador e médio. Você pode usar vários tipos de lubrificantes: gel a base de água, óleos vegetais, óleos minerais, etc.

– Coloque seus dois dedos dentro vagina e devagar vá deslizando-os em direção ao fundo da vagina, até encontrar o colo do útero.

Toque vaginal faça você mesma - Gestante em trabalho de parto

– O colo do útero é uma estrutura proeminente e arredondada, com consistência parecida com a ponta do seu nariz. Geralmente, encontra-se em posição posterior, isto é, voltado para trás, em direção ao ânus. Em seu centro pode ser sentido um pequeno buraquinho, que permanece fechado durante toda a gestação (imagem acima).

– Durante o trabalho de parto o colo uterino se centraliza em relação ao canal de parto (vagina) e sofre duas modificações: o esvaecimento e a dilatação.

– O esvaecimento e a dilatação são independentes entre si, um pode ocorrer antes do outro ou ambos podem ocorrer simultaneamente.

– O esvaecimento ou amadurecimento ou apagamento cervical começa com a mudança de consistência, o colo uterino se torna macio, parecido com seu lábio. A seguir vai encurtando, se tornando menos proeminente, até ficar completamente plano e bem fino como uma membrana.

 

Toque vaginal faça você mesma - Gestante em trabalho de parto

– A dilatação cervical é a abertura do colo do útero (imagem acima). O pequeno buraquinho no centro do colo começa a se abrir e conforme vai se abrindo pode ser medida a dilatação introduzindo inicialmente a ponta um dedo (± 1cm). Com a evolução da dilatação é possível colocar os dois dedos e a partir daí se mede sempre com esses dois dedos. Ao colocar os dois dedos você deverá abri-los o máximo possível e tentar perceber exatamente a posição/distância em que eles ficaram. Ao retirar os dedos, reproduza a posição/distância percebida e meça numa régua quantos centímetros tem da parte externa do dedo indicador até a parte externa do dedo médio (é medido por fora dos dedos). Deve ser medido numa régua, pois a largura dos dedos varia de pessoa para pessoa.

– A dilatação total é padronizada como 10cm. Porém na prática, para que haja o parto, considera-se a dilatação total quando no toque não se sente mais nada do colo, apenas a cabeça do bebê.

– Se a dilatação começar antes do colo se apagar, você poderá sentir a proeminência do colo, isso é chamado de rebordo de colo. É uma situação comum, que geralmente se resolve sozinha com o avanço do trabalho de parto.

– É comum o esvaecimento e/ou dilatação começar dias ou até mesmo semanas antes do parto, sem que isso signifique trabalho de parto iminente.

– Como é comum também o trabalho de parto se iniciar sem nenhuma mudança no colo e todo o processo de esvaecimento e dilatação ocorrerem durante o mesmo.

Por fim, cabe lembrar que cada mulher e cada parto são únicos, e que conhecer a dilatação não quer dizer muita coisa sobre a duração do trabalho de parto. Digo isso, pois tem mulheres que ficam doze horas para dilatar 2cm e depois dilatam os outros 8cm que faltam em duas horas, como tem também mulheres que após completarem a dilatação total ficam muito mais de duas horas até sentir os puxos do expulsivo – esses exemplos são para mostrar que cada caso é um caso, não tem fórmula, receita, padrão, tudo é relativo!

Espero ter ajudado a Flavi e muitas outras gestante por aí…”

Beijos!!!

Fonte: www.gestarpariramar.com