O mundo não é um lugar fácil



No dia em que o Gustavo caiu de bicicleta, eu estava passando pelo estacionamento do condomínio bem na hora e ouvi o tumulto das crianças gritando: Caiu, caiu! Assustei-me e quis logo saber quem havia caído, e para minha triste surpresa, era ele, meu filhinho amado. Quando olhei para aquele pequeno todo machucado, com sangue no rosto, corri e o abracei, tentando acalma-lo dizia que ficaria tudo bem, que ele não precisava se preocupar, por que eu cuidaria dele. Subimos. O elevador parecia tão lento naquele momento, que era desesperador. Entramos em casa e examinei com olhos atentos de mãe. E o convenci a entrar no chuveiro, porque precisava lavar aquilo e ver o que realmente estava machucado e assim fazia-se também uma assepsia. Ele reclamou um pouco, mas foi forte o suficiente para limpar bem as escoriações. Levei-o para cama, ele deitou-se e fiz outro “exame”, ele reclamava de dores no joelho direito e no braço esquerdo, mas o pior de se vê era o rosto. Liguei para meu marido, contei e ele pediu-me que ficasse calma por que viria imediatamente, e que eu o esperasse, pois não queria que eu fosse dirigindo nervosa ao hospital. Então, ele chegou e fomos. Chegando lá ele foi atendido imediatamente e logo fui tranqüilizada pelos médicos. Ele não havia quebrado nada! Agradeci a Deus.

Porém saiu do hospital todo enfaixado, por causa das entorses.

No outro dia ouvi comentários que ele caiu da bike por que coleguinhas dele havia dito que descia um carro e ele assustou-se. Pareceu maldade… Mas são histórias de pequenos… Pode não ser verdade.

Nessas horas fico pensando sobre se seremos capazes de fazer deles pessoas de bem. Mas não sabemos bem como. Há montanhas de livros, revistas, sites, blogs, há informações que não acabam sobre a melhor forma de os educar, do que é bom para eles.

Alertando-nos dos perigos dos videogames e mais alguns milhares de coisas sobre como educar uma criança, mas não há manuais de formação de caráter. Há monte de atitudes, de exemplos, de ensinamentos, há idéias, teorias e práticas, mas não me parece que exista um algo que diga:
– para o seu filho, quando crescer, ser um homem de bem, faça assim e assado.
Não há receitas.

E foi por isso que quase chorei. Porque, depois que passa a “merda” toda, fica a impressão que ainda estamos conseguindo “acertar”, vamos mais ou menos no bom caminho. Nunca se sabe; mas agora, neste momento, tenho um homenzinho de bem que dorme sossegado.Também dormirei sossegada esta noite.

(e sabendo claro, que na vida ainda vai levar algumas “pancadas”).