Convidada especial: Sandra Kautto que escreve o texto “Onde é o lugar do bebê?”

Nossa convidada de hoje é a mãe do Elias, autora do blog “Made In Brazil”

Com o texto: Onde é o lugar do bebê?

Quando recebi o convite da bonita da Flávia para blogar com vocês fiquei pensando sobre o que escrever? E justamente nesse tempo umas 3 amigas recém paridas reclamavam da mesma coisa: Meu bebê só quer estar no colo! O que eu faço pra ele não ficar mal acostumado? Confesso que essa pergunta me causou um mal estar tremendo, porque não conseguia (e não consigo) “ver o problema” em o bebê querer estar no colo. Mas antes que a primeira pedra possa ser lançada vem comigo nessa viagem ao fantástico mundo da maternidade real.
O bebê humano é um dos poucos mamíferos que nasce prematuramente em relação aos demais mamíferos, sabiam disso? E olha que quando estamos grávidas sentimos que é uma eternidade os 9 meses de espera. A verdade é que somente 9 meses após o nascimento o bebê humano atinge a mesma maturidade que os outros mamíferos possuem pouco dias após o nascimento. Ainda na gravidez comecei a buscar leitura básica sobre cuidados com o bebê, higiene, sono e desenvolvimento, mas foi somente após o nascimento do meu pequeno menino que minha leitura passou a ter mais foco: SONO. As mamães que me conhecem a mais tempo sabem do meu drama com relação ao sono do meu filho, corrigindo, meu EX-drama, porque isso faz parte do nosso passado. E foi durante minha peregrinação em busca de soluções para o sono do meu bebê que encontrei uma psicóloga MARAVILHOSA, Laura Gutman, e o seu livro me abriu uma nova porta para a maternidade, um encontro comigo mesma e conseqüentemente um encontro com meu pequeno bebê.  Tá Sandra, mas como é que o colo, o nascimento supostamente prematuro do bebê humano, o sono e a Laura Gutman se relacionam? Se joga comigo, falei que ia ser uma viagem!!!
O bebê durante os 9 primeiros meses tem algumas necessidades básicas: comunicação, contato e alimentação permanente (nessa ordem). * Então que quando falamos de necessidades básicas estamos nos referindo àquelas que NÃO PODEM ser negligenciadas. Ou seja meu povo lindo, o bebê PRECISA estar no colo, pois só assim ele conseguirá comunicar-se, ter contato e alimentar-se. Mas daí a mãe malcriada responde: Tá, mas como faz pra comer, tomar banho, cagar, dormir, enfim, ser gente com um bebê pendurado no colo 24h por dia? E eu sinceramente digo que nem de longe é fácil, divertido ou a melhor coisa do mundo a ser fazer durante 24h do dia, mas posso garantir com total propriedade que logo, logo seu bebê pequenino, indefeso, extremamente dependente, demandante, chorão e muitas vezes irritante, irá crescer, e queira ou não, o seu colo já não será o lugar preferido dele.
Eu levei alguns meses para entender como isso era intenso e verdadeiro, mas quando finalmente compreendi a importância de ter meu bebê sempre pertinho aconchegado no meu colo, comprei um sling! Pois é, respondendo como é que faz pra viver 24h com um bebê pendurado no seu colo, slingando! Até os 5 meses do Elias eu só podia contar ocasionalmente com meu esposo (quando ele estava em casa) para ajudar a cuidar do Elias, e por conta disso  muitas vezes enquanto meu bebê estava tranquilo dormindo no sling, eu chorava. Chorava de desespero, cansaço, raiva, mais cansaço, novamente de desespero! Foram 5 meses de intensa aprendizagem e conhecimento mútuo. Ouvi milhares de vezes a seguinte frase clássica: “esse menino só vive no teu colo, você precisa acostumar ele a ficar no carrinho, no bebê conforto ou no berço. Do contrário ele vai ficar mal acostumado/midado e vai sofrer muito”. E hoje esse mesmo menino que só vivia grudado nessa mãe que vos escreve tem 1 ano e 7 meses e o único momento em que ele QUER ficar míseros 5 minutos no meu colo é antes de ir dormir. Eu poderia escrever mais uns 10 parágrafos mostrando as vantagens do bebê estar no colo da mãe, da avó ou alguém que o ame e cuide, mas daí vocês iam me achar ainda mais chata, por isso vou parando por aqui!
Lembrem-se sempre de “ouvir” o instinto materno, ninguém (nem a super nanny) pode saber o que é melhor para a relação mãe-bebê do que você e o seu bebê.
Beijos ILUMINADOS,
Sandra Kautto
Citação direta: *Gutman, LAURA. A maternidade e o encontro com a própria sombra, 2010.