Divagando

Ao andar pelas ruas da cidade, à noite ou durante o dia, fico olhando dentro das casas e divagando. Imagino a vida das pessoas que ali habitam, seus sonhos, suas alegrias, suas dores e tristezas seus desejos e conquistas. Se naquele momento: riem, choram, sonham, lamentam? Uma vida a ser descoberta, por trás de janelas e cortinas empoeiradas.
Comportamento humano me instiga. E essa busca, essa vontade de enxergar o outro, na tentativa de conhecer e compreender a roda da vida faz com que me perco e me distraio, diante de um farol vermelho ou num trânsito tipicamente paulistano. Perco-me nos pensamentos, imagino que peso curvou o ombro daquela silhueta que vejo pela janela. Isso eu jamais vou saber… Resta-me então apenas a imaginação, e ter a certeza que nunca vou tocar a realidade do outro. Mas sei que no meu intimo a realidade pouco importa. A beleza é a simplicidade, sem confirmação, bastando apenas que eu estenda-me e abra-me ao outro, de forma sincera. Seja seu mundo real ou aquele que imaginei pra si, pouco importa. Estender as mãos é o que verdadeiramente importa. Ela pende, singela e desafiante. Sem exigências e alerta, até o próximo farol. .

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