Adolescente diz me deixa: Entenda o cérebro dele
Eu sei que, às vezes, parece que criamos um filho até a pré-adolescência e, de repente, ele vira um “estranho no ninho” que mal fala com a gente. Eu mesma estou passando por um momento difícil com o meu adolescente, e ouço muito o ‘me deixa’. São dias de silêncio, de portas fechadas, de respostas curtas… Bate uma tristeza, uma insegurança, e a gente se pergunta: Onde foi que eu errei? Será que ele não precisa mais de mim?
Mas sabe de uma coisa? Por mais que o coração aperte e por mais que pareça que ele está me empurrando para longe, eu jamais vou desistir dele. Eu amo muito meu filho, com esse corpo de adulto e essa alma de criança perdida. E é pensando nisso, no amor que nos move, que eu trouxe esse texto aqui, que me fez refletir muito.
Não deixe seu adolescente atravessar a adolescência sozinho!
A adolescência é uma travessia que ninguém cruza ileso. É o momento em que o corpo muda, a alma transborda e o mundo parece grande demais para caber dentro deles. Por fora, eles parecem prontos, cheios de certezas, opiniões e silêncios. Mas por dentro… há um coração que ainda busca um lugar para repousar.
Eles se perdem entre vozes, expectativas, desejos e medos que nem sabem nomear. Querem ser vistos, mas não invadidos. Querem liberdade, mas também abrigo.
E é nessa confusão de quereres que muitos pais se afastam, não por desamor, mas por tantos espinhos que nasceram nessa flor, entre eles o medo: medo de errar o tom, medo de não serem mais necessários, medo de perder aquele filho que um dia cabia nos braços.
Mas o silêncio do adulto pode ser o maior ruído que um adolescente ouve. Porque por trás de cada “me deixa”, existe um pedido silencioso: “não desiste de mim”.
A ciência apenas confirma o que o coração materno já sabe. O cérebro do adolescente é um canteiro em construção: as emoções florescem antes que a razão aprenda a podar. O sistema límbico, o centro das emoções, amadurece antes do córtex pré-frontal, responsável pelas escolhas e pelo controle dos impulsos (Steinberg, 2014).
Por isso, eles sentem demais, reagem demais, amam demais. E é aí que o amor adulto faz toda a diferença: sua presença não apenas acolhe, ela organiza. Seu olhar calmo é a régua emocional que eles ainda não têm.
Seu filho não precisa que você o entenda em tudo. Precisa sentir que, mesmo quando se afasta, há alguém que o espera. Que existe um colo invisível sempre disponível. Que o amor que o criou é o mesmo que o sustenta, mesmo quando ele se torna difícil de alcançar.
Então, não o deixe atravessar essa ponte sozinho. Mesmo que ele se feche no quarto, feche os olhos, ou feche o coração por um tempo, fique por perto. Seja presença. Seja base. Seja farol. Porque, no meio do caos adolescente, o que mais cura é a certeza de que existe alguém do outro lado da ponte, esperando por ele.
Seu Adolescente diz “me deixa”? Minha reflexão e um convite para você, mãe!
Eu entendi de um jeito mais claro o que a ciência diz e o que meu instinto de mãe já gritava: eles não estão prontos. Eles agem por impulso, sentem tudo na potência máxima porque o botão da emoção está ligado antes do botão da razão.
É por isso que, por mais que eu chore escondida ou me sinta frustrada, eu respiro fundo e repito para mim mesma: Você é o farol. Você é a base.
Estar aqui, no meio desse furacão que é o meu filho adolescente, é um exercício diário de amor incondicional e paciência que eu nem sabia que tinha. Mas eu sigo firme, mostrando que meu amor não tem prazo de validade.
Se você está nessa mesma “travessia” com o seu filho ou sua filha, eu quero te dizer:
- Não leve para o lado pessoal. A rebeldia, o mau humor e o silêncio não são sobre você ser uma mãe ruim; são sobre ele ou ela estarem confusos com a própria vida.
- Seja um colo invisível. Não force a barra, mas deixe a porta do seu quarto e do seu coração abertas. Um “Quer um lanche?”, um bilhete na porta ou um abraço inesperado valem mais que mil sermões.
- Procure ajuda, se precisar! Se a barra estiver muito pesada para você ou para ele, buscar um profissional (psicólogo, terapeuta familiar) não é sinal de fracasso, é sinal de amor e cuidado.
Vamos juntas nessa, “Mães Brasileiras”? Tenho certeza de que, com amor e presença, vamos ajudar nossos filhos a chegarem sãos e salvos do outro lado dessa ponte!
Me conta aqui nos comentários: Qual a sua maior dificuldade com o seu adolescente hoje? O que você tem feito para ser o “farol” dele?
Vamos trocar experiências e nos apoiar!
Com carinho,
Flavia Miranda/Mães Brasileiras
Referência consultada (Neurociência da Adolescência): https://bdta.abcd.usp.br/directbitstream/034222a9-3073-4293-a128-e81e9fd79d80/3066794.pdf
