Displasia no quadril – Que bicho e esse?

Displasia no quadril – Que bicho e esse?
Há tempos penso em registrar como é a aventura de ser mãe para mim, já pensei em simplesmente escrever em um belo caderno decorado, todas as minhas percepções sobre a Milena, sobre mim grávida, depois puérpera e todo dia aprendiz, enfim sobre mim como mãe, mas ainda não havia pensado escrever em um blog, até minha “irmãzita” Carol do mamaeusa.blogspot.com, me convidar para escrever no blog dela, isso já faz um pouco mais de um mês, mas enfim, vai sair primeiro que meu caderno de recordações!
Sou fisioterapeuta formada há 3 anos e embora trabalhe somente na área de Ortopedia e Reumatologia, queria contribuir um pouquinho no blog com assuntos relacionados à saúde dos pequenos, das gestantes  e também dos pais (por que não?), então nesse primeiro post quero através do relato de uma experiência pessoal descrever um problema ortopédico relativamente comum nos bebes, mas que pouca gente conhece…
    Trata-se da displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ) uma expressão usada para definir anormalidades na articulação do quadril que podem ser congênitas (que vem desde o desenvolvimento intrauterino) ou podem ser adquiridas após o nascimento, que geralmente configuram em um deslocamento da cabeça do fêmur em relação ao osso do quadril e que se não tratada precocemente levará a uma deformidade permanente nos ossos, sendo mais comum na primeira gestação e em meninas.
      Vale a pena observar se a criança chora ao mexer nas perninhas, demonstra sentir dor na região do quadril e se a movimentação é anormal ou diminuída de um lado, estes sinais podem indicar uma possível DDQ.
       O fato é… Aconteceu comigo!!! Quando minha filha tinha um pouco mais de um mês foi diagnosticada com o problema, através de um teste simples (manobra de Ortolani) o pediatra percebeu que ela tinha um estalido no quadril e nos pediu um raio-X para avaliar melhor, saí desesperada do consultório por dois motivos: minha filha podia ter um problema sério que iria comprometer seu desenvolvimento normal para toda vida… e eu não tinha percebido! Pensei: “Meus Deus, eu sei fazer este teste que o médico fez, porque eu não fiz antes, como não desconfiei, sou fisioterapeuta, estudei esta doença, eu deveria ter prestado atenção!”
     Então um misto de medo e culpa aflorou, porque eu sabia que o quanto antes o problema fosse detectado mais rápida seria a solução, então eu e o pai corremos para fazer o raio-x, que veio com laudo normal, mas na avaliação da chapa eu e o pediatra concordamos que havia uma leve subluxação do quadril E (deslocamento), era quase imperceptível mas optamos por fazer o tratamento, que consiste no uso de uma órtese, no caso da Milena, usamos a fralda de Frejka, que mantinha o quadril dela no lugar, ela usou até 5 meses de idade.
 

 

 

     Outro fato importante nessa história é que ao nascimento ainda no hospital , ela foi examinada através deste teste que se chama manobra de   Ortolani e deu negativo, isso pode acontecer mesmo, mas depois disso ela passou mais duas vezes em uma pediatra que simplesmente não mais realizou o teste, eu nem pensava mais nisso quando o outro pediatra fez o teste e me disse que havia o estalido indicativo de deslocamento.

    Por isso resolvi escrever no blog sobre isso, para falar da importância que tem em levar o RN para um acompanhamento com um bom pediatra, a importância que tem em se buscar informações e fazer questionamentos, pois a exemplo da DDQ existem diversas doenças que se detectadas precocemente não trarão prejuízos nenhum aos nossos filhos, o tratamento da Milena foi fácil e hoje ela é uma criança normal, mas várias crianças tem comprometimento da marcha e artrose precoce no quadril, pois não foram diagnosticadas a tempo.
      Não mãezinhas, não se desesperem! Se seu filho é RN pergunte ao médico se o quadril foi avaliado, se seu filho já é grandinho e está correndo pela casa, ele não tem problema algum no quadril!E se seu filho já é grandinho e não está andando ou parece apresentar dor ou algo diferente no quadril, leve ao pediatra para uma avaliação, pois existem várias doenças que podem comprometer a marcha ou pode ser simplesmente que a hora do seu filho andar ainda não tenha chegado afinal cada criança tem seu tempo!
    O principal no caso das Displasias é o diagnóstico precoce! Fazer o acompanhamento pré-natal corretamente, levar o bebe ao pediatra para acompanhamento periódico e evitar o uso precoce de cangurus, preferindo os cangurus ergonomicos e os slings, pois existem cangurus não ergonômicos que podem levar a um deslocamento da articulação, a Carol já deu essa dica la no instagram, confira aqui (www.instagram.com/mamaeusa), além de ter cuidado para não fazer movimentos bruscos com as perninhas do baby, na hora de trocar fraldas ou colocar roupinhas!
 
        E a culpa? Esta passou, afinal era tanta coisa nova, as dores do parto ainda tão recentes na memória, o trauma de ter feito uma cesárea no final, a amamentação difícil no começo, a bebezinha chorando dia e noite, ufa, só uma mãe de primeira viagem entende que eu não tinha cabeça para pensar em assuntos clínicos e ela foi diagnosticada a tempo apesar dos pesares e hoje tá assim, linda!
 
 Displasia no quadril - Que bicho e esse?
 
 Andressa Nataline Missasse Rezende
Fsioterapeuta Crefito 4/152274F
Formada em Fisioterapia Pela Universidade do Vale do Sapucaí
Formada em Pilates pela Ibraesp.
Atualmente é fisioterapeuta na Prefeitura Municipal de Pouso Alegre MG-Brasil
Mae da Milena de 2 anos e casada com o Dr. Alexandre Rezende