Tá com medo de ser feliz? Então leia este texto!


O encontro não aconteceu. As palavras não foram ditas. O abraço não foi dado. A verdade é que nunca vai poder dizer para ele: “Hei, sabia que você me faz bem?”. Talvez em outro plano aconteça, mas aí já é outra história e não estará aqui para contar.
Certos acontecimentos na nossa vida só acontecem uma vez ou nem tão cedo se repetem. Portanto, muita atenção para reconhecer aquilo que deve ser vivenciado, sentido, apalpado. Quando ignorado, deixa na gente cicatrizes enormes e profundas. Não me refiro às marcas que são difíceis de apagar. Mas às dores que são difíceis de esquecer. E apesar de ser blasé: o tempo não volta!
A sua cicatriz é: carrega uma ressaca moral porque há oito anos foi indiferente aos sentimentos de um grande mancebo, que só queria lhe pagar um sorvete, levá-la pro sítio da família e apresentá-la para o seu cachorro.
Não, esta não é uma história de amor que aconteceu, mas a história de duas pessoas que não saíram para tomar o tal sorvete. Nem foram para o sítio da família. E a moçoila muito menos conversou com o cachorro do rapaz.
O maior erro: achar que tinha uma vida toda pela frente. Mas o telefone tocou:
– Preciso te falar uma coisa, muito difícil, sobre o Juliano.
– Ele está chateado comigo?
– Ele não disse nada prima.
– Então o que é?
– Você sabe que o Ju tinha um problema no coração né?
– Não…Ele nunca me disse nada. O que aconteceu?
– Eu acho que ele não queria que você soubesse que ele era doente. O Ju fez uma cirurgia ontem e não resistiu. Sinto muito prima. Se você quiser ir ao enterro eu te pego na rodoviária. Dá tempo de você chegar.
Pegou o primeiro ônibus. Foi pro velório. Depois descobriu que ele tinha vários problemas de saúde, os quais sempre omitiu. E o pior: ele correspondia aos seus sentimentos.No último telefonema, três dias antes dele morrer: “Vou fazer algo muito importante para mim, mas eu não posso lhe contar agora. Depois você saberá tudo, ok? Só que tem uma coisa: você não vai poder adiar o nosso sorvete. E você vai ter que conhecer a minha família”. Pois é, conheceu toda a família e os amigos de uma vez só.
A história terminou, como mencionei, com um telefonema, há oito anos. E ela ainda sente um vazio amargo por ter recusado dezenas de convites, com a mesma resposta: “Calma, a gente vai sair, mas não esquenta, temos a vida toda para fazer isso”. Pelo menos, aprendeu a lição. Não tem mais medo de ser feliz. Nem de dizer: “Hei, sabia que você me faz bem?”.

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