Refluxo. O que fazer?

Refluxo. O que fazer?

Mães, hoje trago um assunto bem conhecido mas pouco explicado. O Refluxo. O Arthur quando bebê foi diagnosticado com refluxo, mas eu não dei remédio algum para ele.. O texto abaixo explica bem o motivo da minha decisão e vai mostrar que eu  não estiva de tudo errada ao tomar essa decisão na época.
Refluxo. O que fazer?
 
“O esfincter esofágico inferior (fecha a parte de cima do estômago) é imaturo nos bebês, naturalmente, na verdade na maioria dos bebês volta pelo menos um “queijinho” de vez em quando depois da mamada. Em alguns, a quantidade é maior, em outros menor. Mas desde que se descobriu a DRGE (doença do refluxo gastro-esofágico), que pode ocorrer em adultos, bebês e crianças, tudo virou isso. Quer dizer, se voltar um pouco mais de leite já chamam de refluxo, dando um “ar” de patologia ao nome, e muitos pediatras/gastroenterologistas tratam com remédios.
Alguém falou que esse problema tá aumentando hoje em dia, e é verdade. Um dos motivos é o excesso de cesárias eletivas antes do tempo, levando à prematuridade tardia iatrogênica.
O outro, realmente (quer dizer, pode haver mais de dois) é a nossa alimentação. Comemos tudo industraializado, tudo processado, e isso aumenta a quantidade de reações alérgicas a alimentos (que não necessariamente caracterizam alergia com todos os seus sintomas, mas o trato gastro-intestinal fica sensibilizado, mais inflamado e mais reativo a qualquer coisa). A proteína (que é super necessária ao organismo como um todo) é como se fosse uma corrente (cadeia de aminoácidos) e nos alimenos naturais ela fica toda enroladinha, como uma bola. Nosso organismo quebra e absorve algumas partes, mas tem menos contato com uma parte exteeeeeensa da corrente (aberta, desenrolada), e aí não se preocupa em rejeitá-la como um corpo estranho.
Nos alimentos processados, a proteína (gluten do trigo, caseína do leite) fica mais exposta. Na farinha de trigo refinada (branca), o trigo tem pouca fibra, e a proteína fica mais exposta, nosso intestino tem contato com uma parte extensa da proteína, reage como sendo um corpo estranho. No leite de vaca industrializado que consumimos (sofre elevação de temperatura a mais de 100º pra matar bactérias), a proteína é desnaturada pelo aquecimento e por isso também fica aberta (não em forma de bola, mas de corrente), o intestino reconhece e reage. Podemos não desenvolver APLV ou doença celíaca, mas o nosso sistema imunológico fica super alerta a tudo.
Uma parte dessas proteínas passa pelo intestino da mãe e pode chegar ao leite materno. Como o intestino (e o estômago) dos bebês é muito mais imaturo (as cólicas são uma adaptação à alimentação, que antes chegava pelo cordão umbilical), se sensibiliza facilmente a essas proteínas grandes e que não são de natureza humana. Isso é uma das causas do refluxo em bebês. E também de cólicas, mesmo que não haja realmente uma alergia à proteína do leite de vaca diagnosticada.
Então, sugestão: para verificar se pode ser alergia, excluam temporariamente (2 a 3 semanas) um alimento da dieta (leite de vaca é o mais comum causador de cólicas, falando da dieta da mãe) e vejam se melhora. Voltem a comer, e vejam se piora. Ok, se piorou, então é isso mesmo. Essa sensibilidade à proteína do leite de vaca costuma ser transitória em crianças (o intestino desenvolve sua maturidade). Não lembro exatamente as porcentagens, mas pelo menos metade das crianças pode tomar (ter contato com, através da mãe) leite de vaca sem problemas após os 12 meses. E após os 24 meses, 80-90% das crianças.
Quer dizer, é sim uma questão de tempo. Mas SE a causa for o leite, ou outro alimento da dieta da mãe, é uma alternativa válida excluí-lo por alguns meses.
Outro ponto a ser tocado é que as crianças que tomam determinados remédios para refluxo…( há estudos sobre isso). A criança que toma remédio e a que é tratada apenas com medidas posturais e alimentares, não há diferença no tempo e intensidade de melhora. Ou seja, na minha opinião (baseada em dados científicos, em estudo) é um risco desnecessário expor a criança a medicamentos tão fortes, sendo que medidas posturais e alimentares teriam o mesmo efeito.
 Medidas posturais e alimentares para amenizar o problema:
As medidas posturais são essas, inclinação da cama (dormir no sling durante o dia, ou carrinho semi-sentado, ou bebê-conforto também serve), mamar o mais em pé possível, evitar trocar fraldas após as mamadas (esperar 30 minutos se possível), arrotar frequentemente e tentar parar a mamada antes de estar com o estômago muito cheio. E não adianta, isso a gente pega com o tempo, porque no começo estamos sempre nos perguntando se já mamou o suficiente, se não vai ficar com fome. É difícil também porque o bebê não mama só por fome, mas também pra consolo, etc. Então depende do que a mãe acha mais válido naquele momento, amamentar pra confortar, ou parar de mamar pra não vomitar.
As medidas alimentares são, excluir por um tempo alimentos que se percebe que fazem mal ao bebê. O mais comum é o leite, mas pode haver outros. Só não vale ficar paranóica, achando que tudo que acontece com o bebê é culpa de algo que comemos, porque aí não comemos mais nada, hehehe…
Enfim, meninas, se apesar do refluxo (não importa a quantidade e frequência) o bebê estiver bem, ganhando peso, e se o refluxo não for muito incômodo (não chorar muuuuuito, aparentando ser dor, após os episódios), não há porque se preocupar e sair correndo dando remédio. O primeiro ano do bebê é cheio dessas coisas, e não podemos nos apavorar cada vez que mama muito ou pouco, quer ou não quer comer comida sólida, dorme a noite toda ou acorda muito, faz 8 cocôs por dia ou demora 4 pra fazer de novo. Se o bem-estar do bebê persistir, tuuuudo isso é normal. Entre os 12 e os 24 meses, o intestino estará maduro, tudo isso vai passar.
Fórmulas infantis e o refluxo.
 
Tem muito pediatra por aí que resolve dar fórmulas infantis AR (anti-refluxo), e faz até a mãe desmamar por causa disso. Me dá um dó! Porque a fórmula anti-refluxo NÃO vai melhorar o refluxo. Ela é feita com espessantes (amido de milho, gomas, etc), e o leite pode até ficar mais sólido, mas isso provavelmente não vai melhorar o refluxo.
Porque se o EIE  (esfincter esofágico inferior) é imaturo, a contração do estômago ou a posição horizonta, vão fazer voltar igual, mesmo sendo mais sólido.
Vocês já  viram bebê regurgitar só leite líquido ou também “queijinho”?
Depois de um tempo em contato com o ácido do estômago, a proteína do leite solidifica, então isso seria suficiente pra não voltar se fórmula infantil anti-refluxo  funcionasse. NÃO FUNCIONA, na grande maioria dos casos.
 Outra coisa, sobre fórmulas infantis à base de leite / soja. Quando uma  criança tem refluxo, já vem um monte de pediatra dizendo que é APLV   (alergia à proteína do leite de vaca) e mandando dar fórmula à base de  soja. Só que isso não adianta. A maioria dos bebês que têm APLV também terá   alergia à proteína da soja. O motivo é justamente a imaturidade do   intestino. Se ele reconhece a proteína do leite como estranha, também reconhecerá a da soja como estranha. Mais ainda, aliás, porque ela nem é  uma proteína animal, então tem mais componentes diferentes ainda. O bebê  que tem essas sensibilidades é porque está com o sistema imunológico  extremamente ativo no intestino.  Fórmula à base de soja não vai dar em nada.
O que essa gente devia fazer é estimular a amamentação, ensinar pega correta, desmistificar. Mas isso dá dinheiro? Não, não dá. E ainda gasta   tempo. Então dá-lhe receitar fórmula infantil pra todos aqueles problemas  que ela NÃO resolve. Pouco ganho de peso, refluxo, APLV, mastite da mãe,  etc etc etc. Tristeza… “
Por Raquel Olmedo Rodrigues
Nutricionista
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Alguma mamãe aqui tem ou teve bebê com refluxo?
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Imagens: shutterstock